sexta-feira, 8 de maio de 2009

"E no Natal meu pai falô que vai me da uma bicicleta de verdade! Que eu já vou ser bem grande pra andar nela. E vou andar sem rodinha! E mesmo se eu cair, eu nem vou chorar; porque eu já sou bem grande e nem choro mais. Só outro dia que eu chorei. Só um pouco. Meu pai tava fazendo a barba com aquela espuma engraçada na cara, ele pôs até no meu nariz. Mas eu limpei logo, senão nascia uma barba ni mim. Daí ele pôs a gilete na pia e disse assim: "Não mexe aí". Mas eu mexi. Só um pouquinho, mas meu dedo cortou um montão, e saiu um monte, um monte assim de sangue. Daí eu chorei. Mas meu pai pegou eu no colo e pôs o meu dedo na boca dele até parar de sair sangue, e me abraçou bem forte até eu parar de chorar. Eu sarei, daí eu fiquei feliz, não chorei nunca mais e ele pôs eu na caminha para dormir."

Trecho do livro "Depois daquela Viagem" de Valéria Piassa.
A inocência de uma criança me encanta, de verdade.

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